Rock and Roll

01/10/2010

Não sou especialista em fotografias de shows e espetáculos, mas, quando o cliente solicita, eu me arrisco. Na verdade não me acho especialista em absolutamente nada.

Fotografar profissionalmente distante dos grandes centros o transforma em um fotógrafo generalista. É isso que aconteceu comigo. Para encarar as dificuldades de cada trabalho tenho estudado e aprendido continuamente. Nunca um fotógrafo é totalmente auto-suficiente. Aprendi isso ao longo destes anos.

Estas fotos são de um evento promovido pela Cultura Inglesa de Bauru, o Cult Music.

E que contou com a presença de 10 bandas de rock e o consagrado Andreas Kisser.

O local, como a maioria das casas noturnas tem seu interior pintado de preto. Para o fotógrafo é um desafio, Não há rebatimento, e o teto é alto. Se correr o bicho pega se ficar o bicho come.

Até usar o flash com uma velocidade baixa para captar as luzes da iluminação do palco seria uma alternativa, mas o excesso de movimentos de uma banda de rock impede este recurso.

 

Guardei a Nikon, suas lentes pesadas e o flash,  empunhei a Olympus EP2, pequena e leve, dei prioridade para velocidade, iso 800, lente estendida em 100mm e prestando atenção nas alterações da iluminação do palco, e nas mudanças da projeção no fundo, fui fazendo os enquadramentos e disparando.

 

Depoisde um certo tempo eu já conseguia prever os movimento  e as alterações das luzes do palco e tudo ficou mais fácil.

Valeu a pena, fotografar e ouvir o Andreas Kisser, do cultuado Sepultura, e a rapaziada das demais bandas.

Gosto muito de fotografar arquitetura. Admiro as criações e soluções dos projetos. O TRT, Tribunal Regional do Trabalho, na Barra Funda em São Paulo é um projeto que vi, fotografei e gostei.

Sempre com uma lente grande angular, um tripé, e fotografando em RAW, no modo manual para obter resultados onde controlo a luminosidade da foto e a profundidade de campo, recurso importante em fotos de arquitetura.

Não foi necessário nenhum recurso extra de iluminação

O hall de entrada é grandioso, e tem o pé direito exatamente da altura de seus 20 andares. A luz é magnífica, filtrada por uma parede transparente e texturizada, e que projeta seus desenhos no chão.

O movimento intenso de advogados clientes e funcionários dá vida e enche de som o ambiente.

Atenção: Foi necessário autorização da administração para que pudéssemos fotografar.

Este trabalho foi solicitado pela agência Original Design, de São Paulo

Diretor de ciação e arte: Roberto de Andrade

A Thermic é uma indústria localizada em Pederneiras, SP. Sua área de atuação é no atendimento de usinas de álcool e açucar, recuperando e produzindo peças gigantescas.

A escala de seus produtos surpreendem

Fotos internas de grandes indústrias são desafiadoras, porém interessantes se soubermos aproveitar as fontes de luzes que acontecem subitamente.

Fotografo sempres no modo manual, inclusive o foco. Sempre tenho um tripé ou monopé para exposições mais longas.

Trabalho solicitado pela Agência Lettera de Comunicação/Bauru

Direção de Arte: Rafael Cavaca.

Como enquadrar melhor a criança ?

Tem duas formas de enquadramento, paisagem, quando o retângulo do visor está na horizontal, e retrato, com o visor na vertical.

É importante fotografar a criança da mesma altura dela. Evitam-se distorções e o enquadramento fica mais agradável. Um close do rosto cabe melhor em um enquadramento na vertical, retrato. Se forem dois rostos use o enquadramento na horizontal

Aproveitando a iluminação ambiente

Hoje as câmeras digitais fazem a correção do balanço do branco automaticamente.

Você não tem necessidade de usar filtros de correções de cores conforme as fontes de iluminação. Se sua câmera tem o dispositivo de balanço de branco, normalmente é mostrado como WB (White Balance), defina a fonte de luz que existe no ambiente que pode ser: fluorescente, incandescente ou tungstênio. Outra solução é deixar o balanço de branco no modo “auto”

Como evitar imagens tremidas

O tremor nas fotos é determinado por um registro da imagem com o dispositivo de controle da “Velocidade”, ou “S” (shutter) muito baixo. Exemplo: velocidades próximas de 1 segundo. Quanto maior for esse número, menos riscos de tremores. Se sua câmara permitir esse tipo de controle, prefira velocidades acima de 1/30.

Outra saída é elevar o ISO, que é a sensibilidade do sensor, e automaticamente a velocidade subirá, evitando o tremor. Atenção: ISO muito alto afeta a definição da foto 

Uso do flash

Normalmente a câmera compacta tem flashes incorporados, e dependem de uma decisão do fotógrafo para que ele dispare automaticamente quando falta luz na cena.

Tem que se tomar cuidado ao usar flashes incorporados, pois eles são diretos e produzem sombras duras, muito marcadas. Quanto mais próximo do modelo, mais marcadas as sombras.

Evitar olhos vermelhos

Os olhos ficam vermelhos nas fotos quando o flash está na linha dos olhos do modelo. A luz do flash ilumina o fundo do olho repleto de vasos sanguíneos. Para evitar isso, procure o dispositivo de “olho vermelho” na sua câmera, normalmente representado por um ícone que é um olho, aciono-o. Isso vai fazer com que a câmera dispare uma pequena sequência de flashadas mais fracas antes do disparo final, provocando assim o fechamento da retina e evitando o olho vermelho na foto.

Como conseguir feições espontâneas dos pequenos

O maior erro dos adultos ao fotografar suas crianças é exigir que elas fiquem quietas.

Espontaneidade é tudo. Se você exigir que ela pare, ela vai imitar um adulto e sorrir falso. Faça fotos enquanto ela brinca, conversa, anda ou corre. Abaixe se no nível delas.

Fotografe antes que ela pare e faça pose. Fotografe entre uma pose e outra.

Cuidados com o fundo.

É um erro ignorar o fundo. O fundo é muito importante, e ele pode trabalhar a favor ou contra seu enquadramento. Procure fundos simples, com cores suaves, evite galhos de árvores e postes saindo por trás da cabeça

Fotos de eventos (festas de escola, aniversários)

Normalmente estas festas são em locais fechados. Se for o caso use o flash da câmara. Lembre-se flash incorporado na câmera produz sombras duras e definidas.

Nas festas, as crianças se agrupam, são criativas e sorridentes. Acompanhe-as. Faça detalhes das mesas, da decoração, dos brinquedos, das comidas, bocas cheias e sorrisos.

Antecipe os acontecimentos para não perder os eventos dentro da festa.

Esteja atento na hora dos parabéns, e principalmente o momento de apagar a vela do bolo.

Aproveitar melhor os recursos da máquina digital

Uma solução banal, mas necessária, é a leitura do manual da câmera. Faça a leitura com a câmera nas mãos e desvende seus mistérios. Acesse o menu e o set up, pois é aí que estão muitos dos controles da câmera.

Os controles básicos são: ISO, WB (balanço do branco), modos de exposição,

uso ou não do flash e modos de focagens. Hoje, a câmera tem detectores de faces e fazem o foco exatamente aí, muitas vezes retardam o click, mas é um recurso interessante.

Procure fotografar de forma descontraída, assim as crianças se sentirão mais á vontade e os resultados mais espontâneos. Se preciso, ajoelhe-se, sente-se ou deite-se no chão, elas vão adorar vê-lo assim e reagirão muito bem às suas ações e solicitações.

Não se esqueça: baterias e cartões de memórias extras são sempre recomendáveis

Última dica: seja crítico. Não tenha dó de apagar as fotos que não gostar. As pessoas vão elogiar sua seleção de apenas 50 melhores fotos.

Boas fotos

A foto de culinária é sempre um desafio saboroso.

Fiz esta foto nas dependências do restaurante. Montei um pequeno estúdio no salão de serviços durante um dia sem atendimento, para produzirmos 15 pratos diferentes.

Antes de começar fui para a cozinha e orientei a chef sobre os procedimentos para cada foto. Falei sobre os cortes dos legumes e da carne. Falei também da melhor maneira de cozinhar os legumes e a mellhor forma de grelhar a carne.

Selecionei os legumes e acompanhei seu cozimento até o ponto ideal, selecionei os pedaços de picanha e fiz o mesmo. Ao mesmo tempo a grelha ou chapa onde é servido o tepanhaki ficou no fogo aguardando os ingredientes. A iluminação já estava preparada e os poucos adereços nos devidos lugares.

Uma das funçoes da fotografia de culinária é representar o que consumimos, com os olhos cheios de encantamento.

Arqueografia II

06/07/2010

Capa da revista Guia Astral, nº 9 de Janeiro de 1987. Ed. Alto Astral

Esta não foi a primeira capa que fizemos para a revista “Guia Astral”, e nem a última, porém é uma das que mais gosto. No todo, fizemos as primeiras 9 capas, de novembro de 1986 à julho de 1987.

Em agosto do mesmo ano a apresentadora Xuxa ilustrou a capa da revista nº 16, a partir daí as fotos sempre estiveram e estão até hoje contemplando personalidades da mídia nacional.

A revista Guia Astral começava sua trajetória de sucesso, criada e produzida em Bauru. Hoje é a revista mensal com maior vendagem no Brasil.

Esta edição, de nº 9, de janeiro de 1987, como as anteriores, teve somente a capa com quatro cores, todo o miolo com apenas uma cor.

As solicitações para produção das fotos para capas vinham diretamente do criador e proprietário da editora, João Carlos de Almeida, hoje, conhecido em todo território brasileiro como João Bidu.

Não tínhamos um briefing para a produção, mas tínhamos a confiança que o João, criador e diretor da revista nos depositava.

Analisando as capas hoje, distanciadas pelo tempo e pelos momentos históricos daquela época, ela nos parece uma ousadia e uma liberdade poética que ousávamos praticar.

Érika Assumpção, 13 anos, foi a modelo.  Maira Leão fez a produção. Edinho fez cabelo e maquiagem e tivemos a assistência de Celso Melani.

Um ano antes, uma foto na capa da National Geographic se tornaria um ícone e uma referência para todos os jovens fotógrafos, inclusive nós.

Steve McCurry ficou conhecido mundialmente pela famosa imagem da menina afegã, Sharbat Gula, na capa da revista de junho de 1985.

O Relato Afetivo

16/06/2010

Otávio e seu capacete azul

Aproximadamente 90% de toda a fotografia produzida no planeta têm como objetivo registrar momentos familiares, relações de amizades e de convivência.

Desde que a velha e conhecida Kodak nos anos 40, do século passado, popularizou a frase: ”Press de Button, we do the rest”, (aperte o botão e nos fazemos o resto) a humanidade se mobilizou para produzir fotos de suas relações afetivas. As câmaras fotográficas se automatizaram, os filmes coloridos foram produzidos para suportarem erros de exposições até dois f stops para cima ou para baixo. Em contra partida os processamentos de filmes negativos coloridos eram adaptados a esses “erros” bem intencionados, de tal forma que um filme em uma máquina com 36 frames trariam de volta as 36 ampliações 10×15 cm, com leves desvios de cores, porém aos olhos da grande maioria, isso não faria diferença alguma.

Com a passagem para o digital esta atitude não se alterou, fotografa se hoje, ainda mais com o mesmo objetivo de construção de um relato de afetividade.

Mudaram os suportes, e as maneiras de compartilhamento. O velho álbum de fotos em papel no formato de 10×15 cm deu lugar a suportes digitais e álbuns virtuais.

O relato afetivo tem características interessantes. São fotos feitas a 1.60m do chão, o sentido da foto é horizontal, não são passíveis de críticas ou seleção, os enquadramentos são os mesmos. No final, as fotos perdem a autoria, pois são muito parecidas.

Desconfio que se a humanidade sofresse um colapso, e um alienígena que entendesse um pouco de fotografia aparecesse por aqui, acharia que na terra só teria tido um fotógrafo, tamanha a semelhança das fotos, independentemente do suporte que elas se encontrassem.

O mais interessante do relato afetivo é a constância da felicidade dos momentos fotografados e a total ausência das pequenas tragédias familiares, as tristezas e os acidentes não fazem parte desse relato.

Ao fotografar o Otávio, meu filho caçula, correndo no parque da cidade, lembrei-me disso. Suas correrias foram registradas como momentos de felicidade, porém um pequeno acidente, apesar do capacete, teria me obrigado a desligar minha câmara.

O acidente e as lágrimas ficariam sem registro.